
O QUASE TRISTE FIM DA DONA JOANINHA - PARTE V
(...)
"Lá vou eu de novo por essa estrada...", pensou a dona joaninha. "O que será que vai acontecer de absurdo dessa vez? Hunf..."
Mas como andava, andava, andava e nada de diferente acontecia, resolveu sentar um bocadinho em baixo de uma macieira.
Foi sentindo uma preguiiiiiiça... e de repente, levou uma pancada em sua cabecinha!
"Ui!!!", gritou.
"Que foi isso?"
Olhou para o lado e viu uma maçã vermelhinha com uma mordidona caída ao seu lado.
"Será que é possível? Não posso nem parar para descançar que me acontece uma coisa dessas. Sua maçã mal educada! Ninguém te ensinou a não cair assim na cabeça dos outros não??"
"Mas é uma velhinha coroca mesmo!", disse uma voz vinda lá de cima da árvore.
"Hã??"
"Bem que eu falei para a formiga que não tinha bicho mais rabugento que uma joaninha. Ficamos discutindo durante hooooras, ela dizendo que o senhor pulgão era o velho rabugento mais rabugento de todos, e eu defendendo a teoria de que VOCÊ é a campeã, pois se é tão novinha e tão reclamona, imagine só quando ficar mais velha! Por fim a formiga concordou comigo, é claro..."
"Você???", disse a dona joaninha espantada.
"Sua minhoca linguaruda! Não vou ficar aqui escutando sua ladainha!", levantou-se e voltou a caminhar.
"Pois se eu fosse você, não ficaria me chamando de linguaruda..."
"Ah, é?", e virou-se novamente para discutir com a minhoca.
"Você é uma linguaruda sim! Fica se metendo onde não é chamada e só sabe falar mal dos outros!"
Terminando a frase, olhou ao seu redor e não viu mais nem minhoca, nem árvore, nem maçã...
"Hunf... esses meus sonhos estão me saindo melhor que encomenda!"
Ao virar para seguir pela estrada, deparou-se com a coisa mais horripilante, monstruosa e assustadora que já vira em toda a sua vida! Era a dona minhoca, só que mil vezes maior em tamanho, e sua bocona mal conseguia fechar de tão grande que era a sua lingua! E, babando, começou a rastejar em direção à dona joaninha, dizendo: "Sabe que olhando bem, você parece assim... uma maçãzinha vermelhinha bem suculenta??"
"Aaaaahhhh!!! Sebo nas canelas!!!!", gritou a joaninha, botando tanta velocidade em suas patinhas quanto podia.
"Preciso acordar! Preciso acordar desse pesadêlo!", olhava para trás e a minhoca continuava alí, correndo atrás dela e babando.
Quando a dona joaninha pensou que era seu fim, pois já via a sombra da minhoca por cima dela, ouviu um som bem alto, ecoando pelos ares: "Bem te viiiii..."
Era o senhor bem-te-vi sobrevoando as duas e, num vôo rasante, abocanhou a minhoca linguaruda e a engoliu feito espaguete!
"Caramba! O bem-te-vi comeu a dona minhoca!", disse a dona joaninha boquiaberta , olhando para o alto.
E para completar, o bem-te-vi deu meia volta e começou a voar em direção à ela!
"So-so-socoooooorroooo!!", gritou voltando a correr.
Mas o pássaro era muito mais veloz e, num segundo, abocanhou a pobre coitada também!
"Morri! Agora morri!, pensou ela enquanto escorregava pela garganta do bem-te-vi e ía parar no estômago...
"Essa não! Onde é que eu fui me meter??", disse ela choramingando.
"Maçanzinhaaaaaaa...", disse outra voz de dentro do escuro do estômago.
"Céus!! Se não bastasse ser engolida por um pássaro, agora vou ser dovorada por uma minhoca??? Aaaaaahhhh!! Quero sair daquiiiiiiii!!!
E a dona joaninha acordou com o tombo que levou ao cair da cama.
(CONTINUA)
